A Seleção masculina de futebol do Brasil, por vezes referida neste contexto como Seleção Olímpica ou Seleção Restritiva, participou dos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 em busca do seu primeiro ouro olímpico nesta modalidade.

Antecedentes e convocação Jair Picerni assumiu o cargo de treinador da seleção olímpica em 1984, pouco antes dos jogos Olímpicos, sucedendo o capitão do exército Cleber Camerino. Camerino havia sido campeão do Torneio Pré-Olímpico Sul-Americano Sub-23 no mesmo ano, mas abandonaria o cargo em meio a conflitos internos entre a CBF e o Comitê Olímpico Brasileiro. Para os jogos de 1984, o COI e a FIFA extinguiram a distinção entre atletas amadores e profissionais. Passou, então, a ser autorizada a convocação de jogadores profissionais, desde que nunca tivessem disputado uma Copa do Mundo por seleções vinculadas à UEFA e Conmebol. Após uma sequência de resultados ruins em seus três primeiros jogos (amistosos contra Campo Grande, Santo André e Coritiba), Picerni dispensou a equipe e cogitou convocar todo o elenco do Fluminense, campeão brasileiro daquele ano. Após receber uma negativa por parte da diretoria tricolor, o treinador solicitou a Arthur Dallegrave, presidente do Internacional, a autorização para convocar vários de seus jogadores, a 20 dias do embarque da delegação brasileira para os Estados Unidos. O Internacional, que estava sem jogar desde o título da Copa Kirin, cedeu 11 atletas, incluindo toda a equipe titular à exceção do meio campista uruguaio Rubén Paz.

Elenco O Brasil contou com os seguintes atletas:

Jogos

Fase de grupos Grupo C

Quarta de final

Semifinal

Final

Legado Os jogadores não eram tão conhecidos e entendiam a seleção olímpica como uma forma de se pavimentar o caminho para uma eventual convocação à seleção principal. Até aquele momento, o Brasil nunca havia conquistado uma medalha no futebol olímpico. À época, a seleção olímpica era considerada um time B da seleção principal e não tinha a admiração da torcida. Picerni afirmou que teve problemas para levar alguns jogadores, entre eles o atacante Romário, pois os clubes dificultavam convocações acreditando que a seleção olímpica deveria selecionar apenas amadores. Após a conquista da medalha de prata, os dirigentes brasileiros mudaram suas visões sobre o futebol nos jogos olímpicos. A vitória contra a Itália nas semifinais foi posteriormente encarada como uma vingança pela Tragédia do Sarriá, com o treinador italiano Enzo Bearzot declarando que nunca tinha visto um zagueiro igual a Pinga. Picerni, que antes da seleção não possuía um currículo de peso como treinador, foi contratado pelo Corinthians ainda em 1984, e Mauro Galvão foi convocado para a Copa do Mundo de 1986. Os atletas Luís Carlos Winck e Ademir foram convocados para os jogos olímpicos de 1988. Nesta edição, o técnico Carlos Alberto Silva vez enfrentaria menos resistência dos clubes para as convocações. Dez anos após os Jogos Olímpicos, Gilmar Rinaldi e Dunga foram campeões da Copa do Mundo FIFA de 1994, também nos Estados Unidos. Gilmar Popoca foi considerado pelo COI o melhor jogador da competição e, em sua volta ao Flamengo, foi tratado como o sucessor de Zico, que havia sido vendido à Udinese na temporada anterior. Pela torcida do Internacional, a seleção olímpica de 1984 é frequentemente referida como Seleinter e é lembrada como um episódio glorioso da história do clube.

Ver também Futebol nos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 Jogos Olímpicos de Verão de 1984

Referências