Os carros atuais estão cada vez mais conectados e, com isso, ligados aos aplicativos e aos serviços digitais . Essa conectividade facilita a vida do motorista, mas também cria uma questão que nem sempre aparece na hora da compra: o que acontece com as informações geradas pelo veículo enquanto ele circula pelas ruas ou fica estacionado? Parte desses registros é necessária para oferecer funções como assistência em emergências , diagnóstico remoto e controle de recursos pelo celular. O problema está em entender quais informações são coletadas, por quanto tempo ficam armazenadas e se podem ser utilizadas para finalidades que vão além do funcionamento do automóvel. Uma apuração publicada pelo UOL Carros consultou as dez montadoras líderes de vendas no Brasil e analisou políticas de privacidade e termos de serviços conectados. As respostas mostraram diferenças na transparência das fabricantes e nas condições de tratamento dos dados. GWM, Hyundai e Renault responderam detalhadamente às perguntas, enquanto outras marcas apresentaram informações mais genéricas ou não responderam. Quais informações o carro conectado consegue registrar? A lista vai além da localização por GPS . Dependendo do modelo e do serviço contratado, os sistemas podem registrar quilometragem, velocidade média e máxima, nível de combustível ou bateria, pressão dos pneus, estado das portas e alertas de manutenção. Também existem dados relacionados à forma de condução, como acelerações, frenagens e horários de uso . Na prática, essas informações ajudam a identificar falhas e oferecer funções remotas, mas também permitem traçar um retrato detalhado da rotina do motorista. As políticas das fabricantes mostram diferenças importantes na coleta e no armazenamento . A GWM informou que registra a posição do GPS a cada poucos segundos enquanto o veículo está ligado e mantém esses dados por 20 dias. A Renault prevê períodos de armazenamento de até cinco anos para determinadas informações, enquanto a Hyundai informou que dados de geolocalização usados pelo Bluelink permanecem arquivados por pelo menos seis meses após a desativação do serviço. Para quem os dados podem ser enviados e como proteger a privacidade? O compartilhamento pode envolver concessionárias , prestadores de assistência, seguradoras e outras empresas, conforme o serviço e a finalidade . Em caso de roubo, por exemplo, a localização pode ajudar a recuperar o automóvel . Informações de diagnóstico podem permitir que uma oficina identifique um defeito antes da chegada do veículo. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece princípios como finalidade , necessidade, transparência e segurança no tratamento de informações pessoais. O motorista pode consultar as políticas de privacidade, verificar as permissões dos aplicativos e procurar as opções de gerenciamento da conectividade. Em alguns modelos, é possível desativar serviços pela central multimídia ou desvincular o veículo da conta, mas isso pode impedir o funcionamento de recursos conectados. O destino dos dados, aliás, não é a única preocupação relacionada aos carros conectados. A invasão por hackers , como aconteceu recentemente com uma BYD Shark , expôs a fragilidade de alguns sistemas. Relembre o caso.

Carros conectados: afinal, quem recebe os dados rastreados?
Carros conectados: afinal, quem recebe os dados rastreados? · Imagem: Source: canaltech.com.br
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Imagem da matéria: Carros conectados: afinal, quem recebe os dados rastreados? · Imagem: Divulgação/CEABS