Matheus Leitão

União-PP, a federação Mick Jagger do Salão Verde?
União-PP, a federação Mick Jagger do Salão Verde? · Imagem: Evellyn Paola/Metrópoles

Após Flávio sair na frente, União-PP volta ao Salão Verde para apoiá-lo, e campanha lembra fotos que não deram sorte

União-PP, a federação Mick Jagger do Salão Verde?
União-PP, a federação Mick Jagger do Salão Verde? · Imagem: Source: www.metropoles.com

Matheus Leitão

07/10/2026 09:28

Evellyn Paola/Metrópoles

Na terça-feira (6/10), em pleno recesso branco, caciques do União-PP voltaram ao Salão Verde da Câmara para uma foto, com as lideranças de sempre alinhadas, dois dias depois de Flávio Bolsonaro surpreender e terminar o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. Na véspera, o governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, do PP, reeleito no domingo, estava sentado à mesa principal da reunião de Lula com aliados em Brasília.

O grupo tem um ritual. Quando quer dizer algo grande, reúne os caciques no mesmo ponto do Salão Verde, forma diante das câmeras a mesma fileira de rostos conhecidos e lê, em tom grave, um anúncio que promete mudar o rumo dos acontecimentos. A cena se repete com tanta fidelidade que já parece coreografia para quem acompanha os corredores do Congresso.

Desta vez, o anúncio foi o apoio a Flávio, por unanimidade e aclamação, lido por Tereza Cristina, a mesma senadora que em agosto não pôde ser vice dele por determinação do próprio grupo, segundo interlocutores.

Na campanha de Flávio, a adesão foi recebida com cortesia e cautela. Assessores de aliados do candidato lembraram que o ritual já foi encenado outras vezes, com a mesma solenidade, para anúncios que logo tomaram outro rumo.

Um deles chamou o União-PP de Mick Jagger da política, em referência ao roqueiro que virou símbolo de pé-frio ao ver Estados Unidos, Inglaterra e Brasil eliminados em 2010 e assistir ao 7 a 1 no Mineirão em 2014. O álbum de fotografias da federação ajuda a explicar a desconfiança.

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Declarou guerra ao IOF, e o IOF voltou

Em 11 de junho de 2025, Antonio Rueda e Ciro Nogueira declararam guerra ao IOF enquanto seus partidos ocupavam quatro ministérios de Lula. O Congresso derrubou o decreto, mas o governo trouxe de volta quase toda a medida.

Rompeu com Lula, e indicou mais um ministro

Em 2 de setembro de 2025, no mesmo Salão Verde, veio o anúncio oficial do rompimento com o governo. Quem tivesse cargo deveria sair até o fim do mês.

Não foi bem assim. André Fufuca, do PP, ficou no Esporte. Frederico de Siqueira Filho, que assumiu as Comunicações em abril de 2025 por indicação do União, também ficou, e sem a pressão que recaía sobre os filiados. A presidência da Caixa, uma das principais vitrines do governo, seguiu com um indicado de Arthur Lira.

Celso Sabino resistiu no Turismo até ser expulso do União Brasil. O enredo, porém, ainda guardava uma reviravolta. O partido que rompeu com o governo reivindicou a pasta de volta, e em 23 de dezembro de 2025 Lula empossou Gustavo Feliciano, indicado pelo União e filho do deputado Damião Feliciano, também do partido na Paraíba. O rompimento terminou o ano com ministro novo.

Ficou neutro, e Flávio chegou na frente

Em 2026, diante do favoritismo de Lula, o grupo adotou a neutralidade, que, curiosamente, foi anunciada sem foto. Nada de Salão Verde, nada de fileira de caciques. Flávio foi sozinho para o primeiro turno e chegou na frente assim mesmo.

Nasceu a maior bancada, e virou a terceira

Nas urnas do Legislativo, o álbum ganhou mais uma página pouco fotogênica. A federação nasceu como a maior bancada da Câmara, com 109 deputados, e elegeu 87 no domingo, 19 a menos do que União Brasil e PP conquistaram em 2022. O União Brasil caiu de 59 para 46 cadeiras, e o PP, de 47 para 41. Com isso, o grupo passa a ser a terceira força da Casa, atrás do PL, com 121, e da federação do PT, com 88.

Nem o cacique dos caciques escapou. Ciro Nogueira, presidente do PP e principal fiador da federação, teve um ano difícil. Seu nome apareceu no caso Banco Master, e no domingo, depois de 16 anos no Senado, ele perdeu a vaga pelo Piauí.

Apoiou Flávio, e agora?

O segundo turno é em 25 de outubro. Em três semanas saberemos se os novos aliados vieram ajudar a ganhar o jogo ou só sair bem na foto. E, se der errado, ninguém poderá culpar o líder dos Rolling Stones.