O mercado de dados foi um dos temas centrais discutidos durante o encontro da OIC (Organização Internacional do Café), realizado no fim de setembro em Genebra, na Suíça. Segundo o professor da FGV, Daniel Vargas, o setor começa a enxergar as informações geradas nas propriedades rurais como um ativo econômico estratégico.“Cada vez mais o café é um mercado de dados, dados que são gerados na fazenda do produtor, mas que são capturados muitas vezes por intermediários que depois usam esses dados para ganhar preço contra o próprio produtor”, afirma em entrevista ao Record News Rural desta terça-feira (6).De acordo com Vargas, a discussão gira em torno da remuneração e da governança dessas informações. Para ele, quem produz os dados também deveria ter participação nos benefícios econômicos gerados por seu uso. “Aquele que gera o dado, aquele que produz, não deveria também ser remunerado pelo seu uso e ter governança sobre o seu papel? Afinal, nessa nova economia, quem controla o dado controla o preço; quem controla o preço apropria uma parte da renda”, destaca.O docente explicou que existe uma contradição entre a proteção dos dados pessoais e a ausência de regras específicas para os dados gerados no campo. “Nós protegemos o dado pessoal, mas não protegemos o dado da fazenda. Ele ainda é considerado como se fosse um bem público, como se cada empresa pudesse livremente utilizar esses dados para o seu fim econômico, sem reconhecer o retorno àquele que gera o dado”, ressalta. Segundo ele, países como Estados Unidos, Índia e membros da União Europeia já discutem mecanismos para transformar essas informações em propriedade do produtor.Para Daniel Vargas, a falta de regulamentação favorece uma relação desigual entre agricultores e grandes organizações, que utilizam essas informações para obter vantagens comerciais. “Produtores que são, em geral, fragilizados, vulneráveis e dispersos, fornecem dados gratuitamente para meia dúzia de organizações depois usarem esses dados para fazer deles um bem econômico e se apropriar dessa nova renda informacional”, diz.Na avaliação do professor, reconhecer valor econômico aos dados pode trazer benefícios também para a produção sustentável e de qualidade. “O dado precisa ter valor. Para ter valor, tem que ser tratado como propriedade, como bem privado”, frisa. Análises, entrevistas e as notícias do Brasil e do mundo estão na RECORD NEWS. Acesse o site aqui e confira os principais conteúdos em texto e vídeo!











