Política / Eleições 2026

Encontro é previsto para terça ou quinta-feira, ainda sem data definida; ex-presidente já aconselhou o filho sobre debates e escala 6x1 e defende Sachsida para a Fazenda
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O senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro — Foto: Reprodução
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, planeja uma nova visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, antes do debate com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na TV Globo, marcado para sexta-feira. O encontro vai ocorrer entre terça-feira e quinta-feira, embora a data ainda não esteja definida. A intenção do senador é ouvir a avaliação do pai sobre seu desempenho no confronto de domingo, na Band, e receber orientações para os últimos dias de campanha.
Mesmo afastado dos atos eleitorais, Bolsonaro permanece como um dos principais conselheiros políticos do filho. O ex-presidente já havia dado recomendações para o primeiro debate com Lula, participado das discussões sobre a mudança de posição de Flávio em relação ao fim da escala 6x1 e manifestado preferências para a composição de um eventual governo.
Antes do confronto na Band, Bolsonaro aconselhou o senador a concentrar os ataques em temas considerados vulneráveis para Lula, especialmente segurança pública, custo de vida e suspeitas envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A orientação era explorar esses assuntos para colocar o petista na defensiva, mas sem cometer erros que pudessem comprometer a campanha na reta final.
Parte dessa estratégia apareceu no debate de domingo, quando Flávio insistiu nas críticas à política de segurança do governo e explorou suspeitas envolvendo pessoas próximas ao presidente. Lula, por sua vez, questionou o adversário sobre políticas sociais e propostas econômicas. Nos bastidores, integrantes da campanha do PL avaliam que Flávio precisa equilibrar os ataques com respostas mais objetivas e a apresentação de propostas. O novo encontro com o pai ocorre nesse contexto, às vésperas do último confronto entre os presidenciáveis.
Conselhos sobre a campanha
A influência de Bolsonaro também esteve presente nas discussões sobre o fim da escala 6x1, uma das principais pautas da reta final da eleição. Depois de meses criticando a redução da jornada de trabalho, Flávio anunciou que votaria a favor da proposta, aprovada pelo Senado na semana passada, em meio à pressão eleitoral provocada pelo avanço da medida defendida pelo governo Lula.
Antes da votação, o ex-presidente havia aconselhado o filho a agir com cautela, considerando tanto os impactos econômicos da redução da jornada quanto o desgaste político de uma posição contrária à proposta. Flávio acabou apoiando o texto, mas manteve ressalvas sobre os efeitos da mudança para empresas e empregos. Aliados do candidato continuam defendendo a possibilidade de discutir ajustes na legislação depois da eleição.
Bolsonaro também recomendou ao filho que evitasse antecipar disputas por cargos em um eventual governo ou pelo comando da Câmara e do Senado. A preocupação é que essas discussões provoquem atritos entre aliados e desviem o foco da campanha presidencial.
O ex-presidente também tenta influenciar a formação de uma eventual equipe ministerial. Na área econômica, um dos nomes que conta com a simpatia de Bolsonaro é Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia de seu governo, para comandar o Ministério da Fazenda.
Flávio, porém, ainda não definiu quem ocuparia a pasta. Outros nomes são considerados por seu entorno, em meio à tentativa de montar uma equipe com perfil técnico e participação de diferentes grupos políticos. Entre eles, o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ex-presidente do Credit Suisse, Marcelo Kayath.
O senador tem sinalizado a interlocutores que pretende formar uma administração sem reproduzir integralmente a estrutura do governo do pai, embora mantenha Bolsonaro como sua principal referência política.
Os encontros, no entanto, estão sujeitos às restrições judiciais impostas a Jair Bolsonaro, que incluem a proibição de atividades político-eleitorais. Após o reencontro na terça-feira passada, Flávio reconheceu publicamente que recebeu conselhos do pai, mas evitou revelar o conteúdo das conversas, diante das restrições judiciais impostas ao ex-presidente.
— É óbvio que ele dá algumas dicas aqui, mas não vou ficar externando, porque pode ser interpretado de forma maldosa e ser revertido contra ele — afirmou.
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