Manoela Alcântara

Flávio exige dados sobre gastos do governo, agenda de Janja e empresas dos filhos de Lula antes de divulgar relatórios dos últimos 20 anos

Manoela Alcântara, Pablo Giovanni
21/10/2026 15:00, atualizado 21/10/2026 15:02
Renato Pizzutto/Band
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que aceita abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos 20 anos, mas impôs condições ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e classificou o desafio do petista como “promessa vazia”.
Em manifestação enviada ao ministro André Mendonça, na tarde desta quarta-feira (21/10), Flávio exigiu que Lula divulgue informações sobre gastos do governo federal, a agenda da primeira-dama Janja e o uso de helicópteros da Presidência.
A resposta ocorre após Lula propor a abertura dos próprios sigilos e dos familiares, desde que Flávio também adotasse a medida.
Flávio afirma, no documento, que não tem nada a esconder e autoriza a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas de quatro empresas das quais é sócio ou administrador. O candidato também diz não se opor à divulgação de todas as mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Manoela Alcântara
“O pedido é mais uma promessa vazia de Luiz Inácio Lula da Silva. É mais uma tentativa de ludibriar o eleitorado com palavras bonitas, porém despidas de qualquer substância. A abertura proposta não mostraria nada ao eleitor, e o candidato sabe disso”, cita a peça.
Os advogados prosseguem: “Seria uma verdadeira quebra para inglês ver, um mero gesto feito para as câmeras, nada mais do que demagogia barata a 5 (cinco) dias do segundo turno. Afinal, a irregularidade do patrimônio de Luiz Inácio Lula da Silva não está escondida no seu próprio sigilo, mas em sigilos de terceiros que são por ele utilizados. É o que se passa a explicar.”
Uma das exigências de Flávio é a divulgação de todos os gastos com cartões corporativos da Presidência desde janeiro de 2023, além da agenda de Janja anterior a fevereiro de 2025 e dos registros de visitas dos filhos do petista ao Palácio da Alvorada.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) também pede que Lula divulgue informações sobre o uso de helicópteros e as despesas da residência oficial da Presidência.
A campanha de Flávio também apresentou a Mendonça outro pedido: que Lula amplie a abertura dos sigilos para incluir empresas de seus filhos, especialmente de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de dados do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Apesar de aceitar o desafio, Flávio condicionou a entrega dos próprios dados à apresentação das informações exigidas de Lula. Na petição, o candidato do PL afirma que só divulgará os documentos após o presidente cumprir as condições estabelecidas.
“O pedido do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, aliás, é uma verdadeira aberração jurídica. Não pede nada ao Tribunal, não se encaixa em nenhum tipo de processo e depende da vontade de quem nem sequer é parte. Também é desnecessário, porque, caso o candidato estivesse realmente preocupado em levar a verdade aos eleitores, poderia, ele próprio, divulgar os extratos. Ainda assim, preferiu levar o tema de maneira dissimulada à Justiça Eleitoral porque o objetivo nunca foi a transparência, mas a manchete. Pois bem. Agora será cobrado para dar transparência integral às contas públicas e às operações privadas suas e de seus familiares que são suspeitas há muito tempo”, completou os advogados.
Sigilo
Em documento apresentado ao TSE nessa terça-feira (20/10), Lula afirmou que abriria o próprio sigilo caso Flávio adotasse a mesma medida.
O presidente também informou que Lulinha, seu filho investigado no STF, concordou com a abertura do próprio sigilo, sob a mesma condição.
Por meio de procurações, Lulinha e os irmãos autorizaram os advogados do petista a representá-los no processo. Além dele, foram apresentados documentos de Marcos Cláudio, Luís Cláudio, Lurian e Sandro Luís Lula da Silva.
“A presente juntada visa demonstrar que todos os familiares do Peticionante [Lula] anuem integralmente com o pedido formulado e providenciaram os meios legais para que a quebra de sigilo ofertada seja realizada de acordo com a celeridade que o período eleitoral exige”, afirmam os advogados.
A iniciativa teve origem em um desafio lançado durante o debate presidencial na TV Band, realizado no último domingo (18/10). O pedido prevê que os dados sejam disponibilizados à população por meio da plataforma DivulgaCandContas ou de outro portal eletrônico de acesso público.


